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Dia de Blues…

O bom e velho BLUES sempre é bem vindo para dar mais inspiração aos nossos dias!

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Veja, Ouça e Sinta o Blues

Vários filmes foram feitos sobre o Blues ou que utilizam o estilo como trilha sonora. Não poderia deixar de citar dois filmes que são imprescindíveis para quem gosta do gênero ou para quem quer entender um pouco mais porque o Blues é tão sentimental, melancólico e essêncial.

A Encruzilhada (Crossroads)

Este filme é um dos melhores já produzidos sobre Blues. Inspirado na história de Robert Johnson e de como ele teria vendido sua alma ao diabo para tocar guitarra. Um estudante de  música com formação clássica, encontra a ajuda de um bluesman já idoso na busca pelas músicas de Robert Johnson. Uma das melhores performances de Ralph Macchio. Além da ótima trilha sonora de Ry Cooder, o filme também conta com a participação do renomado guitarrista Steve Vai, que tem uma cena espetácular no final do filme, fazendo um duelo de guitarras com o personagem de Ralph Macchio. Álias, uma curiosidade é que o som que sai da guitarra de Ralph na verdade é feito por Ry Cooder.

Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan)

Samuel L. Jackson interpréta Lazarus, um músico de Blues que é abandonado pela mulher e que vive solitário. Em um belo dia ele encontra Rae (Christina Ricci) jogada em uma estrada após ter sido espancada. Ele cuida dela e descobre que terá muitos problemas, pois a moça além de ser drogada também é ninfomaníaca, o que faz com que Lazarus a amarre com correntes para que ela não fuja e se recupere, até o seu namorado Ronnie (Justin Timberlake) voltar do exército. Um filme emocionante, marcado com dramas pessoais, amor, amizade e sofrimento, tudo regado ao bom e velho Blues.

Conheça Robert Johnson, O diabo do Blues

Robert Leroy Johnson foi um dos maiores músicos não só do Blues, mas que o mundo da música já ouviu falar. Ele se tornou referência no Blues e para  músicos como Muddy Waters e Eric Clapton. Robert Johnson gravou poucas músicas, em torno de 29, as quais fora gravadas entre 1936 e 1937. Muitas delas foram regravadas por artistas como Red Hot Chilli Peppers, Rolling Stones e White Stripes. O artista também ajudou a consagrar o famoso formato de 12 compassos.

Ele nasceu no Mississipi, segundo alguns em 8 de maio de 1911, mas não se tem certeza desta data, já que já foram encontradas várias datas distintas em documentos do cantor e guitarrista.

Mas Robert Johnson não é famoso só por sua genialidade musical, muitos mistérios cercaram sua vida. Uma história famosa é a de que Robert teria vendido sua alma para o  diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale para tocar guitarra, daí a sua habilidade. Outro mistério é a sua morte. Diz a lenda que ele bebeu um Whisky envenenado por um marido ciumento, que achava que Robert estava tendo um caso com a mulher dele. O fato ocorreu no bar  “Tree Forks” em 1938. R. Johnson se recuperou do envenenamento mas faleceu no dia 16 de agosto de pneumonia, 3 dias depois do envenenamento. Essa é uma das teorias, já que outras dizem que ele pode ter morrido de sífilis ou até assassinado, pois em seu atestado de óbito, a causa da morte não foi identificada.

Robert Johnson deixou grandes músicas para que fossem ouvidas e executadas por várias gerações, entre elas “Crossroads Blues”, “Me And The Devil Blues” e “Hellhound On My Trail”.

Robert influênciou vários cantores nas décadas seguintes de sua morte, inclusive o Blues de Chicago e o Rock dos nossos dias e continuará influenciando muitas outras gerações.

Antes de ouvir uma música de Robert Johnson é preciso levar em conta as tecnologias de gravações vigentes na época, que nem se comparam as de hoje. Com certeza o som não é digital e nem remasterizado, mas é um música que emociona, feita com os sentimentos de uma pessoa que tinha algo a nos dizer e que, dificilmente, não o fará refletir sobre o que é “Música de verdade”.

Me And The Devil Blues

 Early this mornin’
when you knocked upon my door
Early this mornin’, ooh
when you knocked upon my door
And I said, “Hello, Satan,”
I believe it’s time to go.”

Me and the Devil
was walkin’ side by side
Me and the Devil, ooh
was walkin’ side by side
And I’m goin’ to beat my woman
until I get satisfied

She say you don’t see why
that you will dog me ‘round
spoken: Now, babe, you know you ain’t doin’ me
right, don’cha
She say you don’t see why, ooh
that you will dog me ‘round
It must-a be that old evil spirit
so deep down in the ground

You may bury my body
down by the highway side
spoken: Baby, I don’t care where you bury my
body when I’m dead and gone
You may bury my body, ooh
down by the highway side
So my old evil spirit
can catch a Greyhound bus and ride

 

Blues – Música feita com a alma

Bluesman

Assim como todos os estilos musicais e a boa música, o Blues é feito com o coração. Mas com certeza nenhum outro estilo possui tanto sentimento, tanta história sobre o sofrimento humano como este! As melhores canções já feitas na história da música moderna e contemporânea falam de diversos assuntos: Amor, amizade, alegrias e tristezas, problemas sociais, coisas do cotidiano. Mas o Blues vai muito além disso. É uma música feita para expressar todo o sofrimento, toda a saudade, toda a dor que uma pessoa é capaz de sentir. E essa principal característica está na sua origem.

O Blues surgiu em meados de 1690 no Sul  dos Estados Unidos, na região do Mississipi, Alabama, Georgia, Lousiana e New Orleans. O estilo foi criado pelos negros que vinham do continente africano como escravos. Pessoas que eram arrancadas do seu país, de suas famílias e de suas vidas para serem escravizadas e servirem de mão-de-obra nas lavouras de algodão, milho e tabaco. Tanto sofrimento e a busca pela liberdade foram convertidos em música, nascendo assim o Blues, que ajudava os escravos à agüentar o trabalho árduo nas plantações. Uma mistura de música religiosa (Muitas vezes denominada Spiritual), cantada em língua nativa africana e, com o tempo, em uma mistura de dialetos oriundos da África e do idioma inglês. Essa foi a forma encontrada pelo povo africano de expressar o sofrimento e a saudade que sentiam, já que sua cultura era reprimida de todas as formas possíveis. O Blues é uma música humana, muitas vezes cantada apenas a capela. O banjo era o principal instrumento do Bluesman, depois de sua voz. Mas a guitarra elétrica, o violão e os instrumentos de percussão de origem africana são elementos essenciais para a concepção do Blues, assim como o piano, o trombone, a bateria, o baixo, o saxofone e o trompete.  Com anos de assimilação da cultura branca, o estilo foi se modificando e adaptando-se, passando assim a ser uma música americana, feita por negros e cada vez mais apreciada e adorada no mundo todo.

O mais importante de tudo no Blues é que a música seja interpretada e cantada com o coração. O estilo influenciou a maioria dos gêneros musicais, principalmente o Jazz, o Soul, o rhythm and blues, o country e o Rock and Roll.

Charley Patton

Desde seu surgimento, vários intérpretes se consagraram tocando e cantando Blues. Um dos primeiros foi Charley Patton (01/05/1891- 28/04/1934) que em meados de 1920 era conhecido como o pai do “Delta Blues”, uma das vertentes do Blues e até hoje é considerado um dos maiores músicos dos estados Unidos. Muitos outros nomes também se consagraram: Willie Brown, Tommy Johnson, Son House, Leroy Carr, Silvester Weaver, Blind Willie Johnson e Bo Carter.

Assim como a maioria dos estilos musicais, o Blues possui vários subgêneros, sendo os principais: Piano blues, Country blues, Electric blues, Delta blues, e Jump blues.

Um fato importante a ser ressaltado foi a migração de músicos e negros do sul dos Estados Unidos para Chicago em meados de 1940. Eles fugiam da repressão que sofriam e buscavam uma nova oportunidade para tentar ganhar a vida. Foi nesta época que o Blues começou a usar a eletricidade em suas músicas. Um dos principais músicos desta época foi Muddy Waters, primeiro músico a eletrificar a sua banda e um dos nomes mais conhecidos do Blues, juntamente com Robert Johnson. Muitos outros músicos importantes surgiram neste período: Willie Dixon, Howlin’ Wolf, T-Bone Walker, John Lee Hooker e claro, B.B. King.