Planeta Terra Festival enfrenta a ira do público

Conhecido como o maior festival de música do país, o evento é promovido pela empresa Terra Networks e traz para o Brasil um conceito diferente de shows.

Por Vania Toffoli

Para a edição 2011, o Planeta Terra investiu pesado nas redes sociais e interação com o público. Enquetes, pesquisas de satisfação e sugestões eram postadas na página do Facebook, e possíveis atrações anunciadas em clima de mistério, assim como as informações sobre a venda de ingressos. Quando a organização anunciou a contratação das bandas The Strokes, The Vaccines, Toro y Moi, Peter Bjorn and John e Beady Eye, essa última, o novo projeto de Liam Gallagher, do Oasis; a ansiedade pelas datas ficou ainda maior, assim como a freqüência em seus canais interativos.

A venda de ingressos foi programada para quarta-feira, 8 de junho, à meia-noite na internet, e em horário comercial nos pontos de venda cadastrados. Como de costume, os ingressos foram divididos em três lotes, o primeiro com preço de R$ 200,00; o segundo por R$ 250,00 e o terceiro custando R$ 300,00; todos com possibilidade de meia-entrada para estudantes, professores e aposentados. A situação começou a ficar complicada bem antes do horário do começo das vendas, quando o site da Time For Fun, empresa responsável pelas vendas, sequer exibia o anúncio do festival.

À meia-noite, a página foi colocada no ar e em menos de dois minutos, todos os setores estavam indisponíveis, além de expirar e não completar a transação. Aqueles que tentaram comprar os ingressos, tiveram que esperar ao menos até as duas da manhã, quando o sistema foi estabilizado e só encontraram o fim do segundo lote disponível. A designer Patrícia Segantim, de 20 anos, é fã dos Strokes e conseguiu garantir o ingresso após três horas de tentativas. Para ela, a organização pecou em dois aspectos: “- Achei o preço do ingresso bem salgado, e trocaria a empresa que vendeu, todo mundo sabe que a Time For Fun não tem estrutura. No Paul McCartney, a venda foi feita pela Ingresso.com e não tive nenhum problema. Caramba, o cara é um beatle, tinha tudo para dar errado! Fui em todas as edições do Planeta Terra e espero que a desse ano valha a pena porque estou me decepcionando muito com o festival.”

Na manhã da quarta-feira, poucos ingressos do terceiro lote estavam disponíveis nos pontos de venda, fazendo surgir a revolta de quem não conseguiu comprar na internet e resolveu arriscar a sorte.

Além da venda dos três lotes de uma vez, o aumento de preço e as vendas antecipadas dos ingressos foram os principais erros da organização. A tradutora Paula Fernanda Malaszkiewicz, de 27 anos, mora em Porto Alegre e critica: “- Começaram a vender cedo demais. Ano passado foi no fim de julho. Comprei do segundo lote, no dia 2 de agosto, sem nenhum atropelo. Dessa vez liberaram todos os lotes de uma só vez, sem avisar. Eu só consegui ingresso porque fiz uma busca aleatória no Twitter. Além disso, os dois supostos pontos de venda em Porto Alegre não funcionam mais, fazendo com que muita gente que tentou comprar por lá tenha ficado sem ingresso. Desrespeito total.”

Não houve nenhum tipo de retratação por parte dos organizadores do Planeta Terra Festival. O único esclarecimento dado foi uma postagem na página do Facebook que dizia: “-Como acontece em todas as edições do Planeta Terra Festival, os ingressos esgotaram rapidamente. Agradecemos a todos e nos vemos no dia 5 de novembro!”. Mais de 4.500 comentários foram deixados em postagens diferentes desde o começo da venda dos ingressos. Referências à invasão, boicote, evento paralelo, cambistas e boatos de um segundo dia de shows ou a mudança para um lugar maior não faltaram.

A maré de azar dos organizadores parece não ter fim e uma semana após a confusão com os ingressos, a banda The Vaccines cancelou sua participação. Novamente, nenhuma explicação foi dada e somente aqueles que pesquisaram em fontes alternativas, souberam que o motivo do cancelamento foi o conflito de datas na agenda da banda, que sairá em turnê pelo Reino Unido junto com os Arctic Monkeys na época do festival.

Há quatro anos, o Planeta Terra Festival debutou na cidade de São Paulo, como um concorrente à altura do extinto Tim Festival, e surpreendeu o público com sua organização e diversidade das bandas escaladas para os shows. Realizado inicialmente na Vila dos Galpões, em Santo Amaro, na zona sul da cidade de São Paulo, o festival também contava com atividades para os intervalos entre os shows, como oficinas de cartazes lambe-lambe, lojas e brindes nos stands dos patrocinadores. Em 2009 o evento foi transferido para o Playcenter, e agregou a possibilidade de brincar nas atrações do parque durante todo o evento.

A inovação veio principalmente pela escolha das bandas, dando ao evento um caráter mais alternativo, popularizando o termo indie (diminutivo da palavra independent, em inglês). A divisão em três palcos, (Main stage,Indie stage e DJ stage) foi considerada um trunfo de organização, agradando assim todos os participantes que ao esperar o show da banda preferida, conferiram outras com o mesmo estilo de música.

Com a criação do festival ecológico SWU, e sua semelhança com o gigante inglês Glastonbury, o Planeta Terra Festival vem perdendo o público e a mão no evento desde 2010, quando foram vendidos mais ingressos do que o espaço permitia, resultando na óbvia superlotação e em tumultos por conta das filas gigantescas nos brinquedos, praça de alimentação, caixas eletrônicos e banheiros. A corrida pelo anúncio das bandas se tornou prioridade e a concorrência virou uma ameaça ao próprio Planeta Terra Festival.

PLANETA TERRA FESTIVAL 2011:

QUANDO: 5 DE NOVEMBRO DE 2011

ONDE: PLAYCENTER – SÃO PAULO

CENSURA DO EVENTO: 18 ANOS

SITE OFICIAL: WWW.PLANETATERRA.COM.BR

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