Arquivo paradezembro 15, 2009

Mulheres também fazem Blues

Nem só do talento masculino vive o Blues. O vocal e a genialidade feminina sempre fizeram parte do gênero. É claro que, em muitos casos, não com o mesmo destaque, mas com certeza sempre presentes, prontas para mostrar que também sabem fazer excelente Blues. Vou falar das duas mulheres mais importantes e polêmicas do cenário: 

Bessie Smith

Bessie Smith

 Bessie, assim como a maioria dos músicos negros do Blues e do Jazz, teve uma vida muito sofrida. Nascida em 15 de abril de 1894 no Tennessee, desde criança já ajudava a sustentar sua família trabalhando como artista de rua e depois cantando em bordéis. Em 1923 foi a Nova York para sua primeira gravação, assinando contrato com a Columbia Records. Depois disso, Bessie se consagrou como cantora de Blues, devido ao seu senso rítmico e a sua habilidade de improvisação, somando a tudo isso, uma voz perfeita. Ela ficou conhecida eternamente como a “Imperatriz do Blues”. São várias as histórias que envolvem seu nome. No início do século passado (entre 1910 e 1930) a repressão aos negros nos Estados Unidos era muito intensa, o que fez com que Bessie se envolvesse em milhares de conflitos em defesa do povo negro. Uma história famosa é a de que Bessie sozinha teria colocado para correr um grupo da Ku-Klux-Klan que queria impedir a realização de um evento de Jazz com músicos e público negro.  Foi este preconceito absurdo que levou a cantora à morte. Depois de sofrer um acidente de carro no Mississipi, no dia 26 de setembro de 1937, ela faleceu, aos 43 anos, porque não teve atendimento médico imediato, já que os hospitais da região não atendiam pessoas negras.  

Bessie Smith ficou conhecida como a cantora mais influente de sua época, não só no Blues, mas também no Jazz e, posteriormente no Rock and Roll. Uma história famosa é a da cantora Janis Joplin que em homenagem a Diva do Blues, mandou construir uma lápide para ela, já que quando Bessie Smith faleceu, seu ex-marido Jack Gee roubou todo o dinheiro arrecadado para seu enterro e ela foi enterrada em um túmulo sem nome. A “Imperatriz do Blues” também ficou famosa por outra causa: A igualdade sexual. Bessie defendia a igualdade sexual e o direito das mulheres. Muitos dizem que Bessie era bissexual assumida, o que para época deve ter causado muitos problemas e preconceitos para a cantora.  

na época em que Bessie Smith fazia seus espetáculos cantando nos bordéis, ela conheceu uma figura muito importante para sua carreira:  Ma Rainey a “Mãe do Blues”.   

  

   

Ma Rainey  

Ma Rainey, a "Mãe do Blues"

 Conhecida como “A mãe do Blues”, Ma Rainey é figura importantíssima na história do Blues. Nasceu Gertrude Malissa Nix Pridgett Rainey em 26 de abril de 1886 na Georgia e foi uma figura marcante no universo musical de sua época, começando sua carreira aos 14 anos. Foi uma das primeiras cantoras a se tornar profissional e a gravar suas próprias músicas.  

Além de toda a sua importância musical, Ma Rainey foi uma personalidade muito polêmica. Em 1904 se casou com um comediante do teatro, com quem teve 2 filhos. Bissexual, ela foi presa em 1925 em Chicago porque havia dado uma festa considerada pelas autoridades “indecente”, já que várias mulheres seminuas participavam da comemoração. Em 1928 Ma Rainey lançou uma canção que com certeza abalou a moralidade vigente na época: “Prove it on me Blues”, onde celebrava o lesbianismo.  

Morreu no dia 22 de dezembro de 1939, vitíma de um ataque cardíaco.  

  

   

   

   

Veja, Ouça e Sinta o Blues

Vários filmes foram feitos sobre o Blues ou que utilizam o estilo como trilha sonora. Não poderia deixar de citar dois filmes que são imprescindíveis para quem gosta do gênero ou para quem quer entender um pouco mais porque o Blues é tão sentimental, melancólico e essêncial.

A Encruzilhada (Crossroads)

Este filme é um dos melhores já produzidos sobre Blues. Inspirado na história de Robert Johnson e de como ele teria vendido sua alma ao diabo para tocar guitarra. Um estudante de  música com formação clássica, encontra a ajuda de um bluesman já idoso na busca pelas músicas de Robert Johnson. Uma das melhores performances de Ralph Macchio. Além da ótima trilha sonora de Ry Cooder, o filme também conta com a participação do renomado guitarrista Steve Vai, que tem uma cena espetácular no final do filme, fazendo um duelo de guitarras com o personagem de Ralph Macchio. Álias, uma curiosidade é que o som que sai da guitarra de Ralph na verdade é feito por Ry Cooder.

Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan)

Samuel L. Jackson interpréta Lazarus, um músico de Blues que é abandonado pela mulher e que vive solitário. Em um belo dia ele encontra Rae (Christina Ricci) jogada em uma estrada após ter sido espancada. Ele cuida dela e descobre que terá muitos problemas, pois a moça além de ser drogada também é ninfomaníaca, o que faz com que Lazarus a amarre com correntes para que ela não fuja e se recupere, até o seu namorado Ronnie (Justin Timberlake) voltar do exército. Um filme emocionante, marcado com dramas pessoais, amor, amizade e sofrimento, tudo regado ao bom e velho Blues.

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